Partir do Zero

anulaçãoSe do zero eu partir, há o negativo que me atrasa. Nem sempre o zero é nada, se eu o colocar no tempo. O zero carrega uma história, carrega o próprio peso da sua nulificação, e isso o torna um elemento não nulo.

Como esquecer as subtrações que o tornaram zero? Como deixar pra trás toda a divisão que o suprimiu, tornando-o infinitamente pequeno? Qual o artifício para se começar uma nova equação tomando apenas o zero?

Se o zero não é nada, é só pela graça divina que se pode entender realmente a sua história, suas equações anteriores, sua nulificação. A memória carrega mais que o nada do próprio nulo.

Máscaras

O parecer ser é inegavelmente o vício da humanidade. Não interessa o que se é, desde que o outro veja o que é conveniente. Não importa o quão errado se está, desde que as pessoas vejam a perfeição.

As máscaras presas nos rostos com garras envenenadas tornam-se difíceis de serem removidas. Quando as máscaras caem, sente-se dor. Muita dor. Dor da vergonha. Dor do trabalho necessário para se fazer novas máscaras. O rosto com feridas no vivo, expostas aos olhares de todos, exala podridão. O podre que se é. O podre que os outros agora podem ver.

Mas onde estão os imaculados? Onde está a perfeição das pessoas? Cadê aqueles que tem competência moral para julgar?

No chão, depois de muita dor, com outras máscaras.

Graças a Deus somos pecadores. Graças a Deus podemos errar.

E graças a algum outro escondemos nossa natureza atrás de máscaras.

 

SAUDAÇÃO DA CNBB AO NOVO PAPA

SAUDAÇÃO DA CNBB AO NOVO PAPA

“Bendito o que vem em nome do Senhor!”(Sl 118,26)

Tomada pela alegria e espírito de comunhão com a Igreja presente em todo o mundo, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB eleva a Deus sua prece de louvor e gratidão pela eleição do novo Sucessor de Pedro, Sua Santidade Francisco I.

O tempo e as circunstâncias que antecederam a eleição de Francisco I ajudaram a Igreja a viver intensamente a espiritualidade quaresmal, rumo à vitória de Cristo celebrada na Páscoa que se aproxima. O momento é de agradecer a bondade de Deus pela bênção de um novo Papa que vem para guiar os fieis católicos na santidade, ensiná-los no amor e servi-los na humildade.

A eleição de Francisco I revigora a Igreja na sua missão de “fazer discípulos entre todas as nações”, conforme o mandato de Jesus (cf. Mt 28,16). Ao dizer “Sim” a este sublime e exigente serviço, Sua Santidade se coloca como Pedro diante de Cristo, confirmando-Lhe seu amor incondicional para, em resposta, ouvir: “Cuida das minhas ovelhas” (cf. Jo 21,17).

Nascido no Continente da Esperança, Sua Santidade traz para o Ministério Petrino a experiência evangelizadora da Igreja latino-americana e caribenha.

A expectativa com que o mundo acompanhou a escolha do Sucessor de Pedro revela o quanto a Igreja pode colaborar com as Nações na construção da paz, da justiça, da igualdade e da solidariedade.

Ao novo Papa não faltará a assistência e a força do Espírito Santo para cumprir esta missão e aprofundar na Igreja o dom do diálogo, em uma sociedade marcada pela pluralidade e pela diversidade, e o compromisso com a vida de todos, a partir dos mais pobres, como nos ensina Jesus Cristo.

Ao saudá-lo no amor de Cristo que nos une e na missão da Igreja que nos irmana, asseguramos-lhe a obediência, o respeito e as orações das comunidades da Igreja no Brasil, para que seja frutuoso o seu Ministério Petrino.

Com toda Igreja, confiamos sua vida e seu pontificado à proteção da Virgem Maria, mãe de Deus e mãe da Igreja.

Bem-vindo Francisco I! A Igreja no Brasil o abraça com amor!

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Dom Belisário José da Silva

Arcebispo de São Luis

Vice Presidente da CNBB

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Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

As diferentes formas de receber indulgências durante o Ano da Fé

Roma – Itália (Sexta-feira, 18-01-2013, Gaudium Press) Estando a quase cem dias da abertura do Ano da Fé, proclamado pelo Santo Padre Bento XVI em 11 de outubro de 2012, Dom Rino Fisichella, Presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, apresentou em entrevista ao “L’Osservatore Romano” as indulgências concedidas aos fiéis durante todo o ano da Fé.ano_fe.jpg

“Poderão receber a indulgência plenária, aplicável também em sufrágio às almas defuntas, todos os fiéis verdadeiramente arrependidos, devidamente confessados, que tenham comungado sacramentalmente e que rezem segundo as intenções do Sumo Pontífice, em quatro formas”, explicou Dom Fisichella.

“Antes de mais nada, participando de pelos menos três momentos de pregação durante as missões populares, ou de três lições sobre as atas do Concílio Vaticano II e sobre os artigos do Catecismo da Igreja Católica, em qualquer Igreja ou lugar idôneo”.

A segunda modalidade pode-se concretizar em uma peregrinação a uma basília, catacumba, catedral ou lugar sagrado indicado pelo ordinário do mesmo lugar (normalmente basílicas menores e santuários dedicados à Nossa Senhora, aos apóstolos e aos santos padroeiros), e rezando um Pai Nosso, a profissão da fé (Credo), as invocações à Nossa Senhora e aos Santos Apóstolos ou padroeiros.

Uma terceira modalidade para receber a indulgência plenária, nos dias que determine o ordinário do lugar (por exemplo na Solenidade do Senhor, da Beata Virgem Maria, nas Festas dos Santos Apóstolos, na Catedral de São Pedro), é a de participar em uma solene celebração ou na Liturgia das Horas, acrescentando a profissão da Fé. Finalmente, também pode-se obter a indulgência renovando as promessas batismais em um dia escolhido livremente para visitar o local onde se recebeu o sacramento. (EPC)

Com informações do Vatican Insider.

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/43485#ixzz2Ibh0bRZs
Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.

Uma nova sociedade


Ao mesmo tempo que somos diferentes, únicos e singulares, somos também iguais perante Deus. Isso parece um paradoxo, como é possível?

O Criador não nos ama de formas diferentes, apenas nos ama de forma exclusiva. Deus não ama a sua criação apenas como criação, mas ama individualmente eu, você e todos os outros seres humanos, nascidos e não nascidos, que estão na terra, que estão no céu e os que estão por vir, independente de suas escolhas, personalidades ou naturezas.

Portanto, por sermos amados igualmente por Deus, não podemos admitir qualquer tipo de desprezo à pessoa do outro, seja por diferenças nas condições sociais ou culturais, gênero, nacionalidade ou mesmo religião. Alguns falam com convicção: “Mas esse mundo não tem jeito! Os grandes empresários e políticos estão presos na própria ganância e permitem que crianças morram de fome na África!”. Será mesmo que o mundo não tem jeito?

Quando vemos no noticiário tanta guerra e fome, tantos necessitados, tantos que não possuem aparentemente motivos para viver, ficamos revoltados e decepcionados com o ser humano. Vemos uma realidade tão distante de nós, como se não pudéssemos fazer absolutamente nada, como se nossas mãos estivesse atadas diante de tal situação. Porém a mudança começa muito mais perto do que se pode imaginar. Atos concretos do dia-a-dia podem transformar o mundo. Beata Madre Tereza de Calcutá falava para sermos fiéis nas pequenas coisas porque é nelas que mora a nossa força. Então porquê não experimentarmos tal força?

Aos sermos pessoas melhores dentro de nossas casas, começaremos a construir esse mundo de paz que gostaríamos de ver. Atos simples, desde um elogio à uma ajuda nas tarefas domésticas, podem ter uma força transformadora e até mesmo devastadora, quando consideramos a derrubada de barreiras e a queda dos desamores. Quando nos colocamos à disposição do outro e ao serviço da construção dessa sociedade mais justa e fraterna, partilhamos aquilo que recebemos gratuitamente de Deus: nossos dons. E o maior de todos os dons, presente em todos os corações, recebido de Deus antes de todos os outros é o amor. Quando estamos dispostos a fazer pelo outro o que ele necessita estamos concretizando o Amor Maior, que é Deus. Quando acolhemos o outro, ou mesmo aceitamos suas dificuldades ou diferenças, estamos fazendo o que Cristo nos ordenou: amando-nos uns aos outros (Jo 15, 17).

Como está a aprovação do Aborto no Brasil?

Entrevista com Claudio Fonteles, Subprocurador- geral da República

 

Por Thácio Siqueira

BRASILIA, sábado, 31 de março de 2012 (ZENIT.org) – Claudio Fonteles ,que foi Subprocurador-geral da República, grau mais alto da carreira, concedeu ao ZENIT uma entrevista para esclarecer-nos um pouco mais a situação atual do projeto que prevê a legalização do Aborto no Brasil. Publicamos a seguir e entrevista:

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A comissão de juristas criada pelo Senado para elaborar o novo Código Penal aprovou no dia 09 de março deste ano um anteprojeto que prevê, entre outros pontos, a ampliação dos casos em que o aborto é legal. A aprovação constou de quase maioria absoluta dos juristas, menos 1 que se opôs. O senhor poderia explicar para os católicos brasileiros, o que é essa comissão e por qual motivo está composta por pessoas que pensam da mesma forma?

Claudio Fonteles: A comissão, instituída pela presidência do Senado da República, objetiva apresentar aos senadores a visão de segmentos profissionais vinculados à Justiça – membros do Ministério Público, magistrados, advogados, professores – sobre os vários temas presentes no Código Penal para a sua reformulação, extinção e apresentação de novas realidades, que necessitem ser normatizadas.

Realmente, constituir comissão em que os membros conduzam-se de maneira a consagrar pensamento uniforme, mormente no relevantíssimo tema alusivo à defesa da vida humana, grandemente controvertido na sociedade brasileira, não condiz com a própria vocação do Parlamento, manifestação límpida do regime democrático, justamente por comportar o amplo e plural debate.

Creio que isso possa vir a ser sanado se a presidência do Senado, tendo em mãos o trabalho conclusivo da comissão e publicando-o, abrir prazo razoável para que os vários segmentos da sociedade se pronunciem sobre o mesmo, enviando concretas e fundamentadas críticas, ao que deve se seguir a realização de audiências públicas em que os representantes de pontos de vista opostos sejam equanimemente representados.

Qual foi a importância dada a esse anteprojeto? Essa aprovação significa que ele só passa por uma das Casas do Congresso para a aprovação final?

Claudio Fonteles: A comissão simplesmente subsidia, como disse antes, o posicionamento dos senhores senadores. Seu trabalho – e aqui insisto como esclareci na resposta anterior – deve sofrer o crivo da sociedade civil e, depois, tudo encaminhado às comissões específicas do Senado; à deliberação plenária; enviada à Câmara Federal para exame, também, de suas comissões específicas; decisão plenária e envio ao exame da Presidência da República.

Segundo informou a Folha, em notícia daquele dia, pela proposta, não é crime a interrupção da gravidez até a 12ª semana quando, a partir de um pedido da gestante, o “médico ou psicólogo constatar que a mulher não apresenta condições de arcar com a maternidade”.Inicialmente, a ideia da comissão era propor que essa autorização fosse apenas dos médicos, mas acabou estendida aos psicólogos. Qual é o seu juízo sobre essa proposta?

 Claudio Fonteles: Sobre esse específico ponto, a proposta de inovação é completamente incorreta. Todo texto normativo deve primar pela objetividade a que a solução que objetive não se dilua na incerteza. Então, como se aferir que “a mulher não apresenta condições de arcar com a maternidade”? Eis situação carregada de imprecisão, marcada pela subjetividade e, o que também revela extrema precariedade, conferida a decisão a hum ( 1 ) só e solitário profissional.

Hoje, inclusive, novo ramo da medicina já se faz real: a medicina fetal, ou a terapia fetal, que surge, e se desenvolve em passos concretos, justamente a que se preserve a vida e a saúde do feto. Portanto, o que a isso há de se somar é o cuidado para com a gestante em toda a sua dimensão para que ela, justamente vivendo experiência, clara e concreta, de apoio, solidariedade, amor e amparo emocional, psicológico e material, por parte do Estado brasileiro e de associações privadas, una-se à vida que dela tanto necessita, ou doe essa vida a quem dela tanto queira. Devo, aqui, registrar o Programa-Cegonha, desenvolvido pelo governo da Presidenta Dilma, justamente a amparar a mulher e a vida do feto, no pré-natal, como diretriz governamental acertadíssima, digna de parceria, inclusive com os segmentos religiosos comprometidos com a defesa da vida.

Por que a discussão sobre os anencéfalos se encontra no STF?

Claudio Fonteles: A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde contratou o advogado Luiz Roberto Barroso que promoveu no Supremo Tribunal Federal a ação de decumprimento de preceito fundamental – ADPF nº 54 – para legitimar o aborto do feto anencéfalo.

O código Penal brasileiro ainda considera o aborto um crime, exceto no caso de estupro ou para salva a vida da mãe. O senhor considera que o Brasil está a ponto de tirar plenamente o aborto do código penal?

Claudio Fonteles: Não, considero que no estágio atual da sociedade brasileira, que se debate entre a formação de uma sociedade humanista, solidária, amorosa ou de uma sociedade egoista, utilitarista, pragmática, sendo essa última visão fortemente difundida pelo stablishment midiático das grandes corporações jornalísticas a impor a cultura do politicamente correto, é de se manter o quadro normativo como está, sem alterações no Código Penal na temática sobre o aborto.

Parece ser que esse tema foi repassado para Maio, para aprovação do Senado. O senhor poderia nos atualizar um pouco sobre o estado da situação? O que a comunidade católica pode fazer para ajudar nesse processo de decisão, para evitar que o aborto, a eutanásia e a questão dos anencéfalos sejam aprovados no Brasil? 

Claudio Fonteles: A comunidade católica, de plano unida às demais irmãs, e irmãos, de outras confissões religiosas,e irmãs e irmãos não crentes, mas todos tendo em comum a defesa da mulher grávida e do feto devem em todos os quadrantes em que atuem, na comunidade brasileira, incessante, serena e fundamentadamente posicionar-se concretamente – debates, manifestações públicas ordeiras, passeatas, cobranças assíduas aos parlamentares – em prol da afirmação desse valor supremo, que é a vida.